As ruas de Salvador foram novamente ocupadas pela força da cultura popular e da mobilização social na segunda-feira (16), durante a realização da tradicional Mudança do Garcia. Considerada a manifestação carnavalesca mais antiga da Bahia, o cortejo completa oficialmente 96 anos em 2026 e reuniu pessoas de diferentes gerações no Circuito Riachão, que liga o Largo do Garcia ao Campo Grande, em meio ao som de percussão, charangas e minitrios.
Para além do caráter festivo, o desfile também se firmou como um espaço de denúncia e defesa de direitos. Representantes de sindicatos e movimentos sociais participaram do ato levantando pautas como o combate ao feminicídio, o fim da jornada de trabalho em escala 6×1, a valorização dos salários, a proteção dos serviços públicos, a luta contra a precarização das relações de trabalho, o fortalecimento da democracia e a promoção da igualdade de direitos.
O Senalba Bahia marcou presença no cortejo ao lado da União Geral dos Trabalhadores (UGT), reforçando a unidade das entidades sindicais na defesa de melhores condições de vida e trabalho para a população. Para a presidente do Senalba Bahia, Roque José, a participação na Mudança do Garcia representa mais do que um ato simbólico.
“A ida às ruas durante a Mudança do Garcia simboliza nosso posicionamento em defesa de condições dignas de trabalho, mais tempo para viver e a proteção da vida. Essa é a nossa bandeira”, destacou.
História, identidade e reconhecimento cultural
Mesmo celebrando 96 anos em 2026, a origem da Mudança do Garcia remonta a mais de um século. Os primeiros registros do cortejo datam de 1926, período em que a manifestação era conhecida como Arranca-Tocos. Anos depois, passou a ser chamada de Faxina do Garcia, até que, em 1930, o desfile passou a ocorrer de forma organizada com o nome que permanece até hoje. A consolidação definitiva da denominação ocorreu na década de 1950, acompanhando o crescimento urbano do bairro do Garcia.
O trajeto do desfile foi oficialmente batizado como Circuito Riachão, em 2015, em homenagem ao sambista Riachão, nascido no bairro em 1921 e reconhecido como uma das principais referências da música popular da Bahia.
Em 2024, o Instituto do Patrimônio Artístico e Cultural da Bahia (Ipac) deu início ao processo de patrimonialização da Mudança do Garcia, reforçando o valor histórico e simbólico da manifestação para a cultura baiana.
Ao longo das décadas, a Mudança do Garcia segue como um espaço onde tradição, cultura e mobilização social se encontram, reafirmando o papel da festa como instrumento de resistência e expressão popular.

